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sexta-feira, 13 de março de 2009

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" Saudade. Não é um vício, não, é uma vingança. Acontece quando acordo a meio da noite e estico os braços à procura e não sei que estou só. A cama é grande e só do meu lado está desfeita. Acordo à procura do corpo que faz falta e só tenho o meu que está a mais. Fecho os olhos, como se já não estivessem fechados, e o que está dentro de mim é uma ânsia. Então chegam imagens de um corpo antes de saber que é o dele. Um corpo não, pedaços de um corpo, pequenas alucinações. Duas mãos começam a agarrar-me as ancas e uma boca a bafejar-me a cara. É ele que fala. Ouço dizer-me as coisas que me diz e calo-me. Ouço-o chamar os nomes que me chamam e eu vou. Começo a desfazer-me para que me faça. O corpo que eu toco não é de ninguém. Quando não basta, repete, quando não basta repito. E depois há uma coisa que vem de muito longe e não quer acabar de vir. Vem a mim e eu não consigo ir a ela. Estou comigo. Não é um corpo, não. É um fugir. Um barulho. Qualquer coisa assim que vem, que agarra e passa. Um bicho. Não é um corpo não, porque os não há. Às vezes ouço-me gritar, ou julgar que grito e depois fico quieta como se corresse perigo.

Começo a pensar nele e acabo a pensar em mim, os cabelos desfeitos, uma ânsia sem fim."

Pedro Paixão, Vida de Adulto

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

I built a home, for you for me



"By the cracks of the skin I climbed to the top
I climbed the tree to see the world
When the gusts came around to blow me down
I held on as tightly as you held on me
I held on as tightly as you held on me.


This is a place where I don't feel alone."

terça-feira, 7 de outubro de 2008

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and life`s a trippy thing

ah pois não, não há sol... mas continua a haver céu. e tudo acontece como se tudo fosse um ponto sem final.
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My pot is filled with flowers, my grass is bright and green
My tears brewing in my cup, and still I make the scene.
But just don't try to change me, I love the world I found,
I've got to fly my own sweet way, and nobody can shoot me down.
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nancy sinatra

sábado, 27 de setembro de 2008

B- Side
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Hoje acordei mais para lá do que para cá, literalmente. Eu tenho, pelo menos, duas versões de mim. Atrevo-me a dizer que uma dessas versões é moderadamente sociável, já a outra nem por isso. Li uma frase algures, era eu uma parvinha adolescente [que previa para si própria um destino terrível, a abarrotar de desgraças, quando, naqueles sábados à noite, o poder paternal se impunha e dizia “Hoje ficas a ver a vida através da tela.”], que ditava assim:
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"Espelho de duas faces: ora plana, ora curva. Ora límpida, ora turva. Numa te afirmas, na outra te negas... em ambas crês.".
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A adolêscencia foi-se, a parvoíce insiste. Portanto, hoje acordei turva e curva. Houve até quem me dissesse que, este meu lado B [ou será o A?!], faz de mim uma pessoa “cáustica”, e eu até hoje ainda não arranjei adjectivo que melhor o descrevesse. Não é necessário existir uma causa que justifique o despertar desse "monstro caústico" em mim. Acordo e pronto... lá está ele de olhos esbugalhados, a ler um livro ou a tomar café, a fingir que não incomoda ninguém. Já houve até um par de vezes em que me obriguei a deitar-me cedo demais, porque a minha própria paciência declarou-se vencida, na batalha de me aturar a mim própria. Nesses dias, esqueço completamente a noção de movimento, e permito-me acreditar que é enquanto se dorme que os dentes se mexem e a vida se resolve.
Quer isto dizer que o meu dia hoje não está a correr muito bem … E em vez do sossego que a alma reclama aos gritos…
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O homem do gás voltou outra vez. Mais uma vez. Anda por aí, sobe e desce, diz ele que há coisas que precisam de ser feitas, “pra legalizar”. Eu deixo-o. Deixo-o, porque sou gaja e a mínima suspeita de que o aviso “perigo de explosão” se pode tornar realidade, me força ao afastamento. Crio a distância que me é possível, não a desejada. Se bem que, gaja que é gaja, em eminência de perigo, cria uma distância segura, mas não exagerada. Afasta-se só até onde sabe que não se pode aleijar, e não mais que isso, não vá a coisa realmente dar-se: "Ai, nem imaginas o que aconteceu e estava tão perto... e foi assim e assim, e blá, blá…” . Seja como for, deixei-o lá, a martelar e a esburacar à vontade, mas, enquanto enchia a chávena de café, deixei-lhe bem claro com o olhar: "Vê lá se desamparas de uma vez por todas, isto é uma casa, não é uma central.".
Lembro-me que devia ir à faculdade. Tenho assuntos pendentes com o gabinete de contabilidade dessa instituição. Fui lá ontem. A “responsável” não estava. Tinha ido a uma consulta, e podia ou não voltar. Perguntei “Então como vamos resolver este problema?”. Resposta “Pois…eu não sei.”. Contra resposta “Se você não sabe, eu muito menos.”. Ontem, como foi um dia como outro qualquer, aceitei a mensagem entre linhas “Por favor, não me obrigue a tomar qualquer procedimento para a solução do seu problema. Não posso passar por isso agora, depois de 20 anos a trabalhar na função pública.”. Devia lá voltar hoje, mas hoje para mim não é dia de voltas.
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Bebi o café na varanda posta ao sol. Há qualquer coisa nos horizontes que dominam o reboliço cá dentro. O homem sai, sem prometer voltar. Silêncio: “O meu tornado está a descansar.”
Futuralmente Diferentes
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Acabo de ler uma entrevista a Mia Couto em que ele explica que em certas tribos africanas a palavra "futuro" não existe. Existe a ideia de futuro, mas anteciparem-se a ele [idealizar o amanhã] representa uma transgressão, porque o território do futuro pertence aos deuses. Ao contrário da nossa ocidental ideia de que o futuro está além, para ele esse bicho é uma construção do momento, que é como quem diz, o futuro não é "agora", mas é imediatamente a seguir. Num exemplo prático isto pode significar que nós, ocidentalizados até aos ossos, antes de fazer um bolo já pusemos a mesa, abrimos o vinho, e convidamos os amigos, enquanto eles aguardam pacientemente até ao final da confecção do manjar para depois poderem fazer tudo isso. É que afinal o bolo não existe até ao momento em que está realmente pronto, até porque a coisa pode correr mal e o dito cujo pode nunca vir a existir. E ora bem, é ver-nos a nós a roer as unhas porque as coisas não correm/correram como planeamos, e é vê-los a aceitar o presente, porque nem sequer o "daqui a bocado" lhes pertence.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

"This will only hurt"*
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quando as palavras se foram eu senti-me esvaziar. prisioneira de um rio sem margens, de um pedacinho de céu mudo e sossegado a esconder e a abraçar um mundo inteiro amargurado.

fomos. forasteiros dos dias um do outro. forasteiros de noites presas a horas contadas. reclusos de uma saudade faminta, de uma saudade que devorou cada pedaço da carne morta que um tal de amor há muito matou. digo-te: a minha vontade tem a força de um vendaval e o meu silêncio há-de empurrar-te a um canto e há-de cortar-te os pulsos. trancarei o nosso relógio num túmulo de gelo e nunca mais, nunca mais, os nossos ponteiros darão a volta. deixarei as fendas e as feridas a apodrecer à sorte da tempestade que nos atravessou. e quando a tempestade abrandar tu perguntar-me-às pelo mapa que tem gravado o lugar frio onde nos enterrei e hás-de querer ter pulsos para ter mãos que me agarrem. e nesse momento, nesse momento, eu hei-de dizer-te que o mapa é uma nódoa confusa de tinta e a memória não guardou coordenadas. hei-de dizer-te: a minha vontade tem a força de um vendaval e a minha força tem a força de mil tempestades, e quando passei, quando passei e no fim me sentei [des] cansada, de nós não sobrou nada.

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" Rapaz. A tua pele morena foi um Verão que quis viver e me foi negado. Um caminho que não me enganou. Enganou-me a luz e os olhos foscos das nossas manhãs revividas. Não te escolhi: escolhi estradas, desconfiando que todas eram a mesma, e foi sem dar conta que fui dar a ti. Nós. Um idílio impossível, sem a culpa que eu e tu não temos. A condenação certa por existirmos no tempo errado, ditada pelo terror de sermos um caminho difícil. Não há mais manhãs para reviver, sei-o hoje, nem tão pouco se podem construir dias novos sobre manhãs que se recordam. " [ adaptado "Nenhum Olhar", José L. Peixoto]

* Logh - The Black Box

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Everybody's Free [to Wear Sunscreen]

para eu mesma me lembrar - porque hoje vou adormecer um ano mais velha.

[http://www.bazthegreatsite.com/severybodysfreelyrics.htm]

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

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Invento-me a cada segundo. Invento-me sempre diferente. Cada uma das minhas palavras conta uma mentira. Não escrevo com o coração, escrevo com as mãos.
Passo dos dias a entrar em casas vazias. Casas vazias cheias de silêncio. Do silêncio que sou por dentro. Pinto as paredes e arranjo mobílias. Gira-discos e livros cheios de poemas. Passo os dias a entrar em casas vazias, a entrar para voltar a sair, uma e outra vez e sempre. Sou uma criatura do vento. Escondo-me e perco-me só para me voltar a encontrar. Vivo numa roda-viva só comigo mesma. Espero dos outros o que não espero dar a ninguém. Resmungo-me no meu egoísmo, mas cá dentro só se ouve silêncio. Nunca sei o que sinto, por quem sinto. Se sinto sequer. Não regenero, vivo incapaz de viver de maneira diferente, incapaz de mudar, incapaz de tornar tudo mais, mais dia, mais... As minhas somas fazem-se sempre com números negativos. Fazem-se com palavras difíceis, que mentem, e no fim perdeu-se sempre. Alguém ficou mais triste. Alguém ficou mais sozinho. Alguém ficou preso a uma casa que já não está vazia, que já não é de silêncio, mas que fede a mofo e fede a oco, que já não tem ninguém dentro. Já não se fazem festas, já não se ouve gente, já não se bebe vinho. Já partiu, sem deixar uma palavra, quem jurou ficar para sempre.
Invento-me a cada segundo. Às vezes penso que estou [sou] doente. Cada uma das minhas palavras conta uma mentira. Uma mentira diferente. Uma mentira contada por alguém que perdeu algo maior do que aquilo que alguma vez teve. Como quem perde uma floresta sem nunca ter tido uma árvore. Um deserto que nunca teve areia. Um coração que não pode sentir, que nasceu pálido e cinzento, que é só silêncio, onde não há remorsos nem tormentas. Um coração que é uma casa vazia cheia de silêncio e a única onde eu não consigo entrar.
E é por isso que eu conto mentiras, que me agarro às minhas mãos e as gasto a contar histórias que só no meu imaginário existem. Mas desta vez, só por esta vez, conto-te uma verdade. Talvez tu tenhas razão. Talvez eu não precise tanto desta solidão. Talvez eu pudesse mesmo dar uma salto cá para fora, um pulo de verdade. Ou talvez tu possas só parar de fazer força por acreditar que sou eu quem não deixa ninguém entrar. Porque eu, eu, também estou do lado de fora.
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[ " Into the windows of my lovers
They never know unless I write:
- This is no declaration,
I just thought I`d let you know goodbye.
Said the hero in the story:
- It is mightier than swords
I could kill you sure,
But I could only make you cry with these words."]
belle and sebastian

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

um-dó-li-tá



espreito-me de soslaio. espreito-me com os olhos que já não tinha desde que a vida me começou a acontecer.
um dia disseram-me para nunca deixar de ser criança e eu deixei. talvez por isso me lembre de mim tantas e tantas vezes. sou a pessoa de quem mais tenho saudades. aquela estranha de totós, uma estranha destemida em cima de um triciclo, sem medo dos papões, dos bichos maus, dos outros, a gritar "um-dó-li-tá quem está livre livre está!!!".
e eu pergunto-me "estou livre?" .
uma estranha cheia de alegria a fugir das mãos leves da mãe e a esconder-se na casota com o cão quando "fizeste alguma coisa de mal elisabete!". fiz. farei sempre. de errar não me canso, nem aprendo, mas hoje faltam-me as mãos da minha mãe [a minha mãe acredita que eu já sou grande] e aquele pedaço de cimento em forma de casa pequenina há muito que está vazio.
diz-me a minha mãe que foram muitas as noites sem dormir para me encontrar o nome perfeito. diz-me que no dia em que eu nasci teve medo que em mim só o meu nome fosse perfeito [o médico olhou-a nos olhos e disse-lhe "com a idade que você já tem é provável que a criança não nasça de saúde"]. eu nasci de saúde. o meu pai pegou em mim ao colo, chorou, e a minha vida começou.
hoje apetece-me rir. rir de todas as formas, ser de todas as cores. hoje apeteço-me de todas as maneiras, como se tudo o que passou tivesse passado há já muito tempo. como se eu fosse outra vez uma criança num corpo de mulher. hoje vou gritar "um-dó-li-tá quem está livre livre está!!estás?"

ESTOU.
só me falta o triciclo.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

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num agosto vestido de março, o filme era a preto e branco.

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mulheres de idade perdida vestem as ruas de sonhos desfeitos. enfiadas dentro dos seus s e g r e d o s onde o corpo já não pede permissão para se sujar. homens secos, pouco atentos, procuram no vazio um corpo sem as restrições da a l m a. mulheres oferecem-se, pintam os lábios de batom vermelho morto e entregam-se como .... c a d á v e r e s.
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num banco de jardim senta-se um v e l h o. dentro de um gorro castanho de lã apodrecida, os olhos mansos lêem a cama onde se vai deitar. no rosto rugas e c i c a t r i z e s firmes contam histórias demasiado tristes de quem vive desnecessariamente há demasiado . t e m p o.
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um rapaz enlouquecido pelo a m o r espera alguém na esquina de uma rua perdida. pensa, com toda a certeza do mundo, que o amor vence s e m p r e. a rapariga cruza-se com os mal amados, e acredita, com toda a certeza do mundo, que terá melhor vida. quando ela chega o rapaz abraça-a com e t e r n a saudade, tira uma faca do bolso e ouve-lhe o último respirar.
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a c o r d o.
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sufocada no meu próprio d e s p e r d í c i o procuro um espelho e vejo que ultimamente tenho s o r r i d o pouco.
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perguntas-me se te perdoei.
sim.
mas também te esqueci.

terça-feira, 19 de junho de 2007


Foram dias de nenhum sol. O Cansaço, senhor de si próprio e contra a minha própria vontade, instalou-se confortavelmente na poltrona [o meu coração] de onde eu determinava todas as minhas vontades. Dias frios de nevoeiro espesso, seus súbditos amargurados, invadiram a minha vida e nomearam-se soberanos de todos os meus relógios e calendários , ameaçaram eles “para sempre”.
E de repente tudo estava diferente. As pessoas que eu costumava amar passaram a existir como fortalezas desabitadas, esquecidas de si próprias, mais motivadas em destruir tudo e todos do que em construir-se a si mesmas.
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Esqueço-as e esqueço-me com elas.
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Os meus dias passam, repetidamente repetidos por imposição dos senhores do reino dentro de mim que já não sou eu, e eu choro por dentro. Uma tempestade cerrada e calada de lágrimas. Um choro "estúpido e terno", exausto de mim. Farta de ser eu. Farta de ser eu neste rosto, nestas roupas, mesmo as mais íntimas, neste corpo que não encontra alma, neste coração cansado de bater sem pensar.
Acordar e não te querer ver. Por medo. Medo. Vivemos de medos. Encolher-me em mim mesma, desejar com força voltar a ser criança e a não ter medo de nada se não da escuridão. A escuridão.


Dá-me todo o tempo do mundo.
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Eu gostava tanto de te amar, mas não consigo. Quando me tomavas nos teus braços, ia já a noite escura, tu querias acreditar que o meu coração te pertencia. Mas meu amor... Meu amor, ou lá quem és, o meu amor não pode pertencer a ninguém, porque a minha maneira de amar é estéril e egoísta e absurda.
Queres-te mais forte que os meus demónios, que devagar me foram roubando tudo. Mas digo-te eu: não te desperdices a tentar salvar quem tem cordas ásperas a estrangular-lhe a alma... "para sempre".

terça-feira, 5 de junho de 2007

The gift of memory is an awful curse
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O rapaz não entendia o que ela sentia de cada vez que ele voltava e usava a palavra amor. A rapariga ficava impacientemente feliz, quase sem chegar a sentir felicidade, pela tormenta antecipada da despedida. Queria acreditar na mudança. Queria acreditar. Mas mudar foi sempre uma palavra difícil e ficar foi sempre uma palavra impossível. Ela pensou que jamais seria capaz de voltar a amar com o coração. Podia voltar a amar, sim, mas com outra qualquer parte do corpo. Podia voltar amar com os pulmões, com as mãos, com a boca, mas o coração, aquele coração tolo e cego, há já muito que o perdera para ele.
Sentiram saudades, mesmo quando nenhum milímetro os separava. Ela sonhou ter coragem para lhe pedir que ficasse. Ele pediu em silêncio que ela guardasse essas palavras. "Não parece ser justo", pensaram.
Onde houver saudade nunca haverá justiça.
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I've been thinking about you, baby.
See it almost makes me crazy...
Times, Nothing's right, if you ain't here,
I'll give all that I have, just to keep you near.
I wrote you a letter, darling, I tried to, make it clear,
But you just don't believe that, i'm sincere...
I've been thinking about you, baby,
I want you to live with me.
...

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Wait, they [still] don`t love like I love you



e as palavras que carregavam o meu cheiro só te levaram mentiras.

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Uma estrada -1/5/2007

Era um início de tarde. Respiras fundo e agarras-te à coragem que já tiveste. Sabes que erraste. Que as pessoas mudam. Mudam por muitas razões, mas sobretudo porque acreditam erradamente que se mudarem quem amam as vai amar ainda mais.
Sabes que não podes adiar mais a viagem. Há já muito que o mundo inteiro, as músicas que ouves sem dignidade, as fotografias sem cor que afinal te são dispensáveis porque as imprimiste com toda a precisão naquilo a que rejeitas chamar “memórias” e até os teus amigos te dizem que está na hora de te ergueres, que tens de encontrar a estrada que te traga de volta a ti. Até agora foste-te remediando com trapos, foste vivendo do prazer retardado das tuas lembranças, sugando todas as noites um bocadinho dos sorrisos que um dia enfeitaram a tua cara e os teus dias. Mas hoje descobriste que o teu coração já não te fala e entras em agonia.
Qualquer coisa está irremediavelmente errada, como um pulmão ferido de vício, que respira fábricas de fumo espesso, que nunca cheirou a humidade de um bosque, de uma flor, do mar. O passado espreita-te como um menino birrento, de costas voltadas. Faz-te uma chantagem surda, como se esperasse impacientemente a devolução da tranquilidade que nasce das coisas resolvidas e em troca de nada. Tens de partir. Mesmo que nunca possas, nem sequer a ti, explicar o que terá acontecido, se a culpa é só tua ou de mais alguém. Mesmo que nunca consigas encaixar em lado nenhum esse pedaço da tua vida e ele esteja condenado a vaguear para sempre pelo resto de todas as tuas memórias, como um defunto perdido entre dois mundos. Tens de partir.
Sabes que o tempo já disfarçou a verdade com outras verdades. Puseste as memórias feridas de saudade num lugar a que nenhum ser humano poderia chegar, mas sabes também que o tempo te levará cada vez para mais longe e que, mais tarde ou mais cedo, conseguirás pegar nelas a uma distância segura, sem te deixares magoar.
Partes. Sem mapa e sem datas. Chove uma chuva fria, o nevoeiro e as lágrimas cegam-te o caminho inteiro e a tristeza, nem por um segundo, larga as mãos da tua garganta.
Era um início de tarde.
E o teu.

terça-feira, 27 de março de 2007

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Seasons came and changed the time
Nancy Sinatra
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Fotografia: Aurora
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[Eu vou guardar cada lugar teu.]
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quase Mafalda Veiga

sexta-feira, 23 de março de 2007

"Tu nunca te esqueças. Nunca!"




Mr. Muscle forcing bursting
Stingy thingy into little me, me, me
But just "ripple" said the cripple
As my jaw dropped to the ground
Smile smile

It's true I always wanted love to be
Hurtful
And it's true I always wanted love to be
Filled with pain
And bruises

Yes, so Cripple-Pig was happy
Screamed " I just compeletely love you!
And there's no rhyme or reason
I'm changing like the seasons
Watch! I'll even cut off my finger
It will grow back like a Starfish!
It will grow back like a Starfish!
It will grow back like a Starfish!"

Mr. Muscle, gazing boredly
And he checking time did punch me
And I sighed and bleeded like a windfall
Happy bleedy, happy bruisy

I am very happy
So please hit me
I am very very happy
So please hurt me


I am very happy
So please hit me
I am very very happy
So come on hurt me

I'll grow back like a Starfish!
I'll grow back like a Starfish !
I'll grow back like a Starfish!
I'll grow back like a Starfish!

I'll grow back like a Starfish!
I'll grow back like a Starfish!
I'll grow back like a Starfish!
I'll grow back like a Starfish!
Like a Starfish...
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Antony and The Jonhsons - Cripple and Starfish